Donald Y.M. Leung, MD PhD FAAAAI
Observações clínicas associadas a recentes estudos científicos sugerem que exista uma amplificação do ciclo de inflamação da pele atópica. Este ciclo inicia-se com o prurido que é uma característica essencial dos pacientes com dermatite atópica. A gênese do prurido é complexa não sendo apenas dependente da liberação de histamina. Vários outros mediadores como neuropeptídeos induzidos pelo stress (substância P e Fator de Crescimento do Nervo), proteases (ex triptase), cininas (neurocininas) e citocinas (IL31) podem também induzir prurido.
IL 31 – É preferencialmente expressada por células TH2.
Existe relação direta entre a presença do prurido e níveis elevados de IL31 (upregulation). |
O binômio prurido-coçadura induz trauma mecânico que frequentemente resulta na liberação de citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias.
Citocinas envolvidas: IL1, IL18, TNF-alfa, GM-CSF, TSLP (linfopoetina do estroma tímico)
Quimiocinas envolvidas: CCL17, CCL22, CCL27, CCL1, CCL18, CCL26 |
Subsequentemente, quimiocinas sinalizadas por moléculas de adesão são capazes de direcionar o recrutamento de leucócitos patogênicos ( monócitos, eosinófilos, células TH2 CLA+ ) para a pele. Uma vez dentro da pele, estes diversos leucócitos são ativados por diferentes vias. Dentre elas destacam-se:
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Ligação de células T de memória com o antígeno (alérgenos ou superantígenos bacterianos)
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Citocinas derivadas de células epiteliais (ex TSLP) que instruem células dendríticas para induzir a diferenciação de células TH2
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Apresentação do antígeno ao linfócito pelas células de Langerhans que apresentam IgE específica ligada à sua superfície
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Ativação de mastócitos sensibilizados (complexo antígeno-IgE específica)
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Supressão da produção de peptídeos antimicrobianos por citocinas efetoras (IL4 e IL5) provenientes de células TH2 ativadas
Devido a pele do indivíduo com dermatite atópica apresentar menor quantidade de peptídeos antimicrobianos (catalecidinas e B-defensinas) é comum vírus, fungos e bactérias (S.aureus) encontrarem um ambiente favorável para colonizá-la. A presença desses microorganismos libera produtospró-inflamatórios (superantígenos, proteoglicans e ácido lipoteico), resultando na modulação e amplificação da ativação do leucócito e conseqüente liberação de mediadores inflamatórios, incluindo citocinas efetoras (IL31) e proteases (triptase) que somadas as estress induzido por neuropeptídeos, perpetuam o sinal do prurido. O somatório de todas essas vias gera, invariavelmente, processo de amplificação que sustenta a resposta inflamatória dentro da pele e leva ao desenvolvimento de um determinado fenótipo de dermatite atópica.
Amplificação do ciclo de inflamação da pele atópica

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