As novidades na imunopatogênese da asma apresentadas no meeting da AAAAI-2007 incluem: o papel desempenhado pela linfopoietina do estroma tímico (TSLP) na inflamação alérgica; a participação do estresse oxidativo induzido pelos poluentes atmosféricos nas exacerbações asmáticas e a ativação das células NKT (natural killer T-cells) produzindo inflamação das vias aéreas e conseqüentemente asma.
As células dendríticas ativadas pela TSLP promovem eficazmente a proliferação das células T e induzem a liberação de suas citocinas pró-inflamatórias presentes nos processos alérgicos. Durante o processo inflamatório alérgico, a TSLP, uma nova citocina semelhante a IL-7, ativa as células dendríticas para a indução da liberação de citocinas-Th2 e para a expressão do ligante OX40. Sabe-se que OX40 (CD134) é membro da família TNF que promove o TNF-alfa e inibe a produção de IL-10 (citocina regulatória), provocando então inflamação mediada por citocinas-Th2. O ligante OX40 (OX40L) derivado das células dendríticas é um desencadeador das citocinas-Th2 independente da produção de IL-4. Verifica-se, portanto, que TSLP e OX40L induzem conjuntamente a liberação das citocinas-Th2 que causam as doenças alérgicas. O antagonismo de OX40L configuraria um novo alvo terapêutico potencial futuro das alergias.
O estresse oxidativo causa dano mitocondrial e morte celular, e pode ser induzido por poluentes atmosféricos. As partículas de exaustão do óleo diesel provocam exacerbações asmáticas, aumentam também a sensibilizaçâo alergênica, promovem a inflamação das vias aéreas e a hiperreatividade brônquica, e estimulam a síntese de IgE específica (aumento da expressão Th2). Os poluentes atmosféricos, portanto, causam o estresse oxidativo e promovem a inflamação pulmonar associada às exacerbações asmáticas. O estresse oxidativo é iniciado pela produção de radicais de oxigênio que estão presentes nos pulmões dos pacientes asmáticos. Caso haja deficiência na defesa anti-oxidante, há mais riscos para a ocorrência de inflamação brônquica e conseqüentemente, de mais exacerbações asmáticas. A utilização de agonistas do fator de repressão NF-kapa B (Nrf2) poderia futuramente contribuir para o controle do estresse oxidativo, com conseqüente diminuição das exacerbações asmáticas. A maior expressão de Nrf2, como potente antioxidante, diminuiria a inflamação associada à hiperresponsividade brônquica da asma. Nrf2 é capaz de aumentar a expressão de mais de 200 enzimas antioxidantes e antiinflamatórias.
A asma é, portanto, decorrente de uma resposta imunológica Th2. As células NKT são muito importantes no surgimento da hiperreatividade brônquica pela indução da liberação de IL-4 e IL-13 (citocinas-Th2). Ao contrário de indivíduos saudáveis, os asmáticos apresentam elevação no número das células NKT presentes no lavado brônquio-alveolar. O número de células NKT é proporcional à severidade da asma apresentada.
A ativação das células NKT pode ser bloqueada por um produto terapêutico já aprovado pelo FDA, DPPE-polietileno glicol, cuja eficácia foi demonstrada in vitro. Estudos mostraram que o DPPE inibe a hiperreatividade brônquica e a inflamação brônquica associada. As células NKT produzem, então, IL-4 e IL-13, promotoras da hiperresponsividade brônquica da asma, e o seu número agora já pode ser reduzido nos pacientes asmáticos. Convém também lembrar que a IL-17 produzida pelas células Th17 promove a inflamação brônquica da asma, principalmente por recrutamento neutrofílico, e que os corticosteróides aumentam a expressão das células Treg (CD4+CD25+), mecanismo pelo qual realizam ação antiinflamatória. Foi demonstrado que GATA-3 (fator de transcrição para Th2) inibe a FOXP3 (fator de transcrição para células Treg), exercendo ação pró -inflamatória Th2.
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