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AAAAI - 2009, WHASHINGTON D.C, EUA

  1. Anafilaxia Induzida por Exercícios com e sem dependência alimentar (seminar 3518)

    Por Mario Geller, FAAAAI, MACP, AMRJ
    Lawrence Schwartz, MD, Ph.D, FAAAAI

A anafilaxia induzida por exercícios pertence ao grupo das Alergias/Urticárias Físicas, associadas em 17% dos casos com a urticária crônica idiopática/auto-imune, e que têm em comum a disfunção mastocitária (“twichy mast cells”), com diminuição do limiar para a desgranulação citoplasmática dos mediadores da anafilaxia: histamina em especial, leucotrienos, prostaglandinas (PGD2), citocinas (ex: TNF-a), quimiocinas, proteases (triptase, quimase, carboxipeptidase).

Os mastócitos apresentam em sua superfície receptores de alta afinidade da IgE (FceRI) que se ligam a Fc da IgE e podem intermediar algumas modalidades das alergias físicas. A prevalência da anafilaxia induzida por exercícios é de aproximadamente 3-4% do total das anafilaxias.

O quadro clínico é o de sensação de calor, ruborização, prurido intenso e progressivo, urticária gigante, angioedema, estridor laríngeo, edema de glote, tonteira, síncope, alterações gastrointestinais (vômitos, cólicas abdominais e diarréia), broncoespasmo, e é potencialmente fatal. Na hipotensão arterial os membros inferiores devem ser elevados (posição de Trendelenburg) para aumentar o retorno venoso ao coração. A triptase sérica e a histamina plasmática podem estar elevadas e o teste provocativo em esteira pode confirmar o diagnóstico, embora o resultado negativo não o afasta.

O diagnóstico diferencial inclui a urticária colinérgica (pequenas lesões urticariformes puntiformes de 1-3 mm associadas à elevação passiva ou ativa da temperatura corporal), arritmias e a cardiomiopatia hipertrófica, a asma induzida por exercícios (sem manifestações dermatológicas), e a mastocitose sistêmica/urticária pigmentosa/doenças da ativação mastocitária (triptase sérica acima de 13-20 ng/mL).

A anafilaxia induzida por exercícios pode ou não ter dependência alimentar. A forma independente é primária ou idiopática sem relação com a ingesta alimentar. A modalidade com dependência alimentar pode apresentar ou não sensibilização por IgE específica a um determinado alimento.

A forma com dependência alimentar sem IgE específica é simplesmente pós-prandial (54% dos casos). Na forma com dependência alimentar acompanhada de IgE específica (teste epicutâneo de puntura e/ou RAST) é necessário a combinação de ambos (ingesta do alergeno alimentar específico e exercícios aeróbicos) para que a anafilaxia ocorra (efeito sinergístico), uma vez que separadamente nada acontece.

Os alimentos mais incriminados são: trigo (gliadina omega-5), crustáceos (especialmente o camarão) , amendoim, castanhas, soja, leite, milho, mostarda, aipo, e mesmo a farinha contaminada com ácaros (anafilaxia por panquecas) em portadores de alergia respiratória acarina.

Existe em 13% dos casos anafilaxia por exercícios induzida por medicamentos (aspirina, antiinflamatórios não-esteroidais, antibióticos como as cefalosporinas, e o beta-hidroxi-metil-beta-butirato (“energizante”)). Pode haver co-gatilhos: exercícios nos extremos de temperatura (calor e frio), exercícios em locais com grandes concentrações atmosféricas de pólens, e picadas de insetos Himenóptera.

As condutas preventiva e terapêutica incluem: não exercitar-se por 4-6 horas nos períodos pré e pós-prandiais, principalmente no pós-prandial, exercícios com companheiro/a, ter sempre disponível epinefrina auto-injetável (EpiPen) e com o companheiro/a também sabendo utilizá-la, celular disponível, não exercitar-se em locais de difícil acesso a tratamento médico emergencial.

O emprego profilático de anti-histamínicos (anti-H1 e anti-H2) é controverso e pode mascarar o quadro dermatológico inicial, fazendo com que o exercício prossiga levando ao surgimento de grave anafilaxia. Após a administração de epinefrina o paciente deve encaminhar-se imediatamente à emergência hospitalar.

Como em todas as formas de alergias físicas a desensibilização física pode ser empregada com cautela e sob atenta supervisão. Exercícios escalonados, com duração e intensidade progressivas, podem ser bem sucedidos. É também promissor o emprego de agentes estabilizadores de mastócitos como a anti-IgE (omalizumabe).

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